Bauru e grande região - Terça-feira, 17 de setembro de 2019
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01/08/19 07:00 - Opinião

Bauru: os números que falam por si

Reinaldo Cafeo

No aniversário de 123 anos de Bauru seria possível retratá-la nas diversas dimensões, mas optei por mostrar o potencial local e seu significado no ponto de vista econômico. A região administrativa de Bauru abrange 39 municípios. Todos juntos representam, segundo a Fundação Seade, R$ 41 bilhões de geração de riqueza, portanto, o seu Produto Interno Bruto (PIB) regional.

O PIB de Bauru equivale a 32% de sua região administrativa, totalizando R$ 13 bilhões. Enquanto a matriz econômica regional aponta para 5% no setor primário, 32% no setor secundário e 63% no setor terciário, Bauru possui 0,3%, 20% e 79,7%, respectivamente. Bauru pode ser considerada cidade urbana. Sua renda é desconcentrada. O índice de Gini aponta para 0,43, sendo inferior ao índice do Brasil que é 0,54. Lembrando que este índice indica que, quanto mais próximo de 1 a renda é mais concentrada, mais perto de zero, menos concentrada. Quem dá o tom local são as classes C,D e E tendo 59% da população com remuneração mensal entre R$ 300 e R$ 2.200. Já as classes B1 e B2 com renda mensal entre R$ 2.200 e R$ 6.600 representam 34% da renda, ficando a classe A, que possui renda acima de R$ 6.600 mensal com 7%.

O IDHM - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é considerado elevado, atingindo 0,801. Lembrando que este indicador é uma média da renda per capital (R$ 37 mil anual), tempo de escolaridade e expectativa de vida ao nascer, portanto, indica qualidade de vida. Bauru possui mais de 16,5 mil empresas. Destas 7.800 (47%) são comerciais; 132 (1%) agropecuárias; 1.208 (7%) industriais e 7.442 (45%) atuam na área de serviços.

Com produção diversificada, Bauru produz suínos, equinos, avocado, abacaxi, batata doce, bovinos, metal mecânica, baterias automotivas e para motos, produtos gráficos, cadernos e agendas, massas frescas e congeladas, potes plásticos, robôs, equipamentos para padarias, atuando ainda na recuperação de crédito, educação, serviços de saúde, setor contábil, entre outros.

Com quase 380 mil habitantes, tendo dois shoppings centers consolidados, inúmeras galerias e comércio a céu aberto com atrativos regionais, tanto na área central, como zona sul e bairros periféricos, como Mary Dota, possuindo investimentos importantes da rede hoteleira e em um parque industrial privado, Bauru se apresenta como porta de entrada para o capital produtivo no chamado aquém Tietê.

É fato que os anos de 1990 retardaram seu crescimento e desenvolvimento. A combinação do desmonte do Estado, com as privatizações e a instabilidade política fez com que a geração de riqueza crescesse de forma lenta. Da virada dos anos 2.000 até a cidade recuperou sua autoestima e parte do tempo perdido.

Não obstante todo este potencial há inúmeros desafios. Alguns projetos como a Estação de Tratamento de Esgoto representam verdadeiras travas a melhoria do saneamento básico. O aeroporto regional não disse a que veio e a cidade ainda não encontrou sua verdadeira vocação.

Há esperança no ar. A criação do CODESE - Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Bauru, tendo como iniciativa o sociedade civil organizada, ajudará a planejar a cidade para o futuro. Em breve saberemos os desafios e serão apontados os caminhos para a sustentar o crescimento da cidade. Também as soluções devem ser pensadas regionalmente, outro desafio.

Há enormes desafios, mesmo assim os números da cidade falam por si, sem contar o que nos enche de orgulho: o cidadão bauruense, nascido aqui ou que adotou a cidade para chamar de sua, que é trabalhador, batalhador, acolhedor e alguém que faz a diferença. Há os que focam o lado vazio do copo no tocante a percepção do que representa Bauru, contudo, apesar de todos os desafios e o muito a fazer, esta cidade é e deve ser nossa paixão.

Com muito orgulho de ser bauruense, é momento de parabenizar Bauru pela sua gente e pelo que representa!

O autor é economista, presidente da Acib e articulista do JC. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.





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